Pacientes se queixam de atendimento em unidades 24 horas de Itaquaquecetuba

População reclama da saúde pública do município, após denúncia de jovem que perdeu movimento das pernas depois de ser medicado na UPA. Fotos: Raphael Santos

 

Por Irânia Souza

De Itaquá

 

Na mesma semana em que o caso do jovem de 25 anos que perdeu os movimentos das pernas após receber uma injeção na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Caiuby ter repercutido nas redes sociais e na imprensa da Capital, pacientes se queixam do atendimento e despreparo de profissionais nos principais pontos de referência em saúde de Itaquaquecetuba.

ABRE_Itaqua_Reclamação Pacientes - foto 2 @raphaelsantosA equipe de reportagem do Gazeta Regional percorreu as unidades de saúde 24 horas e ouviu de pacientes reclamações sobre a péssima qualidade do serviço. A dona de casa Karina dos Santos Leite, moradora do bairro Marengo, questionou a demora no atendimento e a falta de atenção dos profissionais no Centro de Saúde ll (CS-II). “A saúde deveria ser prioridade em uma cidade administrada por um médico, mas não é o que acontece. É muita demora, precisa esperar mais de quatro horas para ser atendido. Com criança fica difícil. Se estamos aqui, é porque precisamos”, lamentou.

Vanessa dos Santos Leite, que também reside no Marengo, afirmou que os profissionais ficam de “bate-papo” em rede sociais nos celulares e não prestam atenção no que estão fazendo. “As enfermeiras ficam no celular conversando enquanto os pacientes aguardam atendimento. Tem hora para tudo. Deveriam ficar de olho nessa situação”, disse.

No Hospital Regional Santa Marcelina, as reclamações ficam por conta da demora no atendimento do Pronto-Socorro da unidade. Igor Rodrigues, que mora na Vila Esperança, estava acompanhando a namorada que precisou esperar quatro horas pela consulta. “A demora no atendimento está horrível, cheguei por volta do meio-dia e fiquei até as 16 horas. Têm pacientes que chegaram às 19 horas do dia anterior e ainda não foram atendidos. Tem bastante aprendiz por aqui, precisa orientar e supervisionar esses profissionais para evitar erros como aconteceu na UPA”.

Para a moradora do Miguel Badra, em Suzano, Jacinta Melo dos Santos, o atendimento, mesmo com a demora, ainda está melhor do que em seu município. “Está demorando, mas aqui você faz os exames para apresentar ao médico. Em Suzano, na Santa Casa, nem médico tem para descobrir o seu problema”.

 

UPA

Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Caiuby, a situação não é diferente. Reinaldo Rodrigues, do Jardim Pinheirinho, levou a filha de dois anos com sintomas de resfriado. O médico receitou uma injeção com Benzetacil, mas o medicamento está em falta na unidade. “Faz três dias que ela passou no médico e estamos tentando dar essa injeção, mas toda vez que chegamos na UPA eles falam que não tem e pedem para voltar no dia seguinte. Fica difícil”, afirmou.

ABRE_Itaqua_Reclamação Pacientes - foto 4 @raphaelsantosO cunhado da Débora Ribeiro, que mora no Caiuby, passou mal e precisou ser socorrido por um carro do Corpo de Bombeiros do município. Mas, segundo ela, não havia ambulância na unidade para atender à ocorrência. “Ele precisou esperar mais de duas horas uma ambulância com a coluna travada. Tivemos que apelar para os bombeiros, pois o pessoal da UPA alegou que não havia nenhuma ambulância vinculada a eles. A gente paga imposto e merece um atendimento de qualidade”, desabafou.

 

 

 

Caso Willia

Willia Rodrigues de Matos, de 25 anos, foi até a UPA do Jardim Caiuby, pois estava com uma irritação nos olhos. O médico, na ocasião, receitou uma injeção, aplicada por uma enfermeira no mesmo local. Após o medicamento, o rapaz começou a perder os movimentos das pernas.

Matos ficou 21 dias internado no Hospital Santa Marcelina, em Itaquá, mas o problema não foi resolvido. Há mais de um mês sem se locomover sozinho, o jovem, que pesava 52 kg, perdeu 7 kg e sofre com dores severas. O caso foi repercutido na Rede Record, nas redes sociais, na imprensa regional e da Capital.

 

Outro lado

A Prefeitura de Itaquaquecetuba informou que o Centro de Saúde 24 horas é um dos locais de pronto atendimento do município, que prioriza em seu atendimento os casos mais graves. Além disso, ambos os locais de pronto atendimento (UPA e CS 24 horas) vêm recebendo demanda de outros municípios.

Quanto à falta de Benzetacil na UPA, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Itaquaquecetuba, o que ocorre é que, de acordo com uma nota técnica da Secretaria de Estado da Saúde, devido ao desabastecimento dos insumos para fabricação de penicilinas, deve-se priorizar a utilização para os casos de sífilis e febre reumática. Para casos como amigdalite, por exemplo, existem outras opções de tratamento.

Quanto ao transporte feito pelos bombeiros, o que ocorre é que eles, corriqueiramente, levam vítimas de acidentes (Resgate), que por muitas vezes são avaliados na UPA (que atende casos de baixa e média complexidade) e encaminhados ao Santa Marcelina. As viaturas dos Bombeiros não são utilizadas pela Prefeitura para remoção de pacientes. Para remoção, a Prefeitura conta com ambulâncias próprias, que estão em plena condição para atender à demanda, quando são acionadas.

 

Santa Marcelina nega falta de médicos

O Hospital Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba, esclarece que não há falta de médicos na unidade. Na tarde do dia 16 de junho, quando foi feita a reportagem, o quadro de médicos do pronto-socorro estava completo, com 26 profissionais de diversas especialidades. Em relação ao atendimento prestado à paciente Jacinta Maria dos Santos, informamos que ela retirou a senha para atendimento por volta das 13h20 e às 14h50, ou seja, 90 minutos depois, estava em consulta com o médico. Vale ressaltar que trata-se de um caso de baixa complexidade, sem urgência, e que o tempo de atendimento no pronto-socorro é dinâmico, podendo variar conforme a demanda.

Por fim, lembramos que a unidade é referência regional para atendimentos de média e alta complexidade. Todos os pacientes que buscam atendimento passam por classificação de risco e os casos mais graves e urgentes são priorizados, porém, nenhum paciente fica sem atendimento.

Gazeta Regional

Fundada por Laerton Santos no início dos anos 2000, a GAZETA tem como principal missão integrar as dez cidades que compõem a região do Alto Tietê, tendo como diferencial o olhar crítico que define a linha editorial do veículo. Em busca de contato cada vez mais próximo com seu público, o jornal tem investido na cobertura diária, utilizando as mídias digitais para esse fim.

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