Paliar, amparar, amar

Por Érica Godoi / Arte: Giovanna Figueiredo

O termo paliativo deriva do latim pallium que significa “manto”, que nos remete ao amparo e proteção. Jeanne Garnier(1841 na França), Mary Aikenhead (1834 na Irlanda) e Rose Hawthorne (1890 nos EUA) foram as grandes fundadoras do conceito de cuidados paliativos. Em 1974 foi fundado o primeiro Hospice norte-americano em Connecticut (EUA).

Todas essas mulheres tiveram uma motivação pessoal devido a perda de entes queridos, o que fez com que elas tivessem um olhar diferenciado para o cuidado e atendimento de pessoas com doenças terminais.

A palavra hospice não tem uma única tradução para o português, mas significa basicamente um lugar, uma filosofia e um modo de cuidar.

Segundo Cicely Saunders (1967) os cuidados paliativos se iniciam a partir do entendimento de que cada paciente tem de sua história, relacionamentos, cultura e que merece todo o nosso respeito e consideração como um ser único. Portanto, o conceito fundamental é de valorização da vida e entendimento da morte como um processo natural e os cuidados paliativos não é de forma alguma o adiantamento da morte, mas uma abordagem que auxilia o paciente a viver tão ativamente quanto possível e com qualidade, amparado por uma equipe multidisciplinar. Cicely Saunders também preconizava o atendimento da dor total (física, mental e espiritual) e a importância de estender este cuidado para a família, auxiliando-os a expressar os sentimentos relacionados ao luto.

O mais importante é que o paciente tem o direito de participar a todo o momento na decisão de seus cuidados de saúde e, na impossibilidade dele, a família decide sobre o planejamento da terapia proposta juntamente com a equipe multidisciplinar. A população em geral não conhece, mas o Ministério da Saúde (MS-Brasil 2008) sugere o plano terapêutico centrado na pessoa e não mais no médico, direcionando cada vez mais por um cuidado individualizado e humanizado.

O idoso diagnosticado com uma doença crônica ou terminal se depara com inúmeras emoções e sentimentos, um deles é o medo da finitude. Portanto, o cuidado paliativo aos idosos crônicos estão direcionados para um modo de cuidar humanizado e comprometido com o seu bem-estar, seja ele dentro do hospital ou no domicílio. Ressaltando que a principal e imediata rede de apoio ao idoso é a família.

Sabe-se que os cuidados paliativos no Brasil ainda estão se estruturando e não são uniformes em todas as cidades, instituições de saúde e equipes. No entanto, o intuito deste artigo é informar que existem outras formas de abordagem e acompanhamento do idoso com doença crônica ou terminal.

Para quem cuida, a abordagem paliativa é a oportunidade de promover reconciliações e para quem é cuidado é o momento de libertar-se de ressentimentos que causam dores emocionais, feridas que ninguém vê, mas que existem. Sem falar na oportunidade de promover uma qualidade de vida, pensando em viver cada dia em sua plenitude.

Gazeta Regional

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