Para moradores, Clodoaldo não tem maturidade para exercer vereança

Vereador abriu queixa policial contra moradores que criticaram seu mandato; para movimento do Residencial Mirage, parlamentar foi “infantil”. Foto: Divulgação

 

Por Renan Xavier

De Mogi

 

“Ele não demonstrou a maturidade que se espera de uma autoridade pública”, avalia a cabeleireira Márcia Nunes. A trabalhadora mogiana se refere ao vereador Clodoaldo Moraes (PR) que, após ser criticado por moradores em reportagem veiculada por este jornal, no final de maio, abriu queixa policial contra ela e Nilza Barrados.

As duas questionaram a atuação de Clodoaldo na crise de segurança do bairro Residencial Mirage, descrevendo como oportunismo eleitoral a “apropriação” do vereador das conquistas paliativas geradas pela organização dos próprios moradores.

Indignado com as críticas, Clodoaldo, que teve direito de resposta concedido na edição 165, registrou ainda ocorrência por injúria no 2° Distrito Policial de Brás Cubas. O vereador relatou em entrevista que a sugestão de enquadramento por injúria partiu do próprio delegado, descrito por ele como um “amigo”.

 

Histórico

A tensão entre o grupo de moradores e o vereador teve início com a construção de um muro, no final da avenida Amazonas, no dia 26 de maio. A intenção da obra, encabeçada por um grupo majoritário de moradores, era evitar que criminosos transitassem pelo bairro fechando o acesso à via que serviria de rota de fuga para bandidos. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) foi acionada por meio de denúncia anônima e embargou a construção. O próprio secretário de Segurança Pública de Mogi das Cruzes, Eli Nepomuceno, foi ao local para mediar a situação e agendar uma reunião com lideranças do grupo.

O Gazeta Regional realizou a cobertura do acontecimento e publicou as críticas de duas mulheres que foram alvo do boletim de ocorrência movido por Clodoaldo. Na ocasião, elas elencaram as ações de autoria do movimento e acusaram o parlamentar de “pegar carona” nas conquistas do grupo. Márcia descreveu o parlamentar como “oportunista”.

 

Desproporcional

Em nova entrevista, Márcia Nunes descreveu como “desproporcional” a medida adotada por Clodoaldo. “Transpareceu a postura de um parlamentar sem o entendimento do que é a política. Lamentável que ele tenha tomado uma medida tão desajeitada e desproporcional”, avalia a cabeleireira. Ela ainda fez uma defesa de sua avaliação anterior sobre o oportunismo do vereador: “Naquela ocasião, a minha colocação foi totalmente adequada”.

O pastor Marcos Barrados, marido da professora Nilza Barrados, que também foi alvo da queixa de Clodoaldo, ressaltou que o parlamentar, ao invés de se preocupar em combater a criminalidade, como eles próprios estavam fazendo, dedicou-se a tentar criminalizar trabalhadores.

 

Outro lado

Questionado sobre seu posicionamento perante as críticas, Clodoaldo afirmou saber lidar com elas, uma vez que é uma pessoa pública. “O que não posso admitir são acusações mentirosas e injúrias contra a minha pessoa”. Afirmou ainda que se sentiu ofendido pelos depoimentos de algumas pessoas entrevistadas por Gazeta Regional. “Caberá ao inquérito policial esclarecer os fatos”, concluiu.

 

 

Gazeta Regional

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