Poaenses clamam por segurança

População vive com medo da alta criminalidade e fica presa dentro de suas próprias residências

Por Gabriel Dias / Foto: Bruno Arib

Estudo do Instituto Sou da Paz publicado em maio de 2019 serve como termômetro para o que a população de Poá tem sofrido na pele. O município está entre os 30 do Estado de São Paulo mais expostos a crimes violentos. De acordo com dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), delitos como latrocínio (roubo seguido de morte) e furto a pedestres e a veículos apenas cresceram nos últimos anos desde que Gian Lopes (PL) assumiu o comando da cidade.


Apesar das estatísticas desfavoráveis, Gian Lopes voltou atrás da decisão de contratar cerca de 44 GCMs (Guardas Civis Municipais) para o município. Em sua conta no Facebook, ele disse que a cidade não tem dinheiro para a contratação por que o banco Itaú saiu de Poá, o que diminuiu a arrecadação de impostos.


Segundo os dados da SSP, os crimes de latrocínio (roubo seguido de morte) subiram de 1 em 2018 para 2 este ano. Já os casos de furto a pedestres tiveram aumento de 10,39% nos últimos dois anos. Furto a veículos, por sua vez, aumentaram em 24% de 2018 para 2019.


Quem sente as mudanças são pessoas que vivem presas dentro de suas próprias casas, como o caso da operadora de máquinas Ana Maria, de 62 anos. Ela conta que ao sair de sua residência para ir trabalhar foi abordada por um sujeito que levou seus pertences. “Fico com medo, sair de casa é uma tortura. A sensação de que você pode não voltar para sua família é muito grande aqui em Poá”, lamenta Maria.


No bairro Calmon Viana, a dona de casa Vanda explicou que tem muito medo. “Vivo com os portões trancados. Quando meu cachorro late no quintal, seja qualquer hora do dia, já fico em estado de choque. A sensação de insegurança é muito grande em Poá. A gente não dorme e não vive bem”, revela a dona de casa.


Marcia Montefusco, 52, é comerciante e conta que já presenciou muita coisa com relação à criminalidade em Poá. “A gente até evita falar por que não sabe o que pode acontecer. Vivemos inseguros por aqui”, critica.


Todos os entrevistados pela GAZETA, ao serem informados que o prefeito recuou da decisão de contratar mais guardas municipais, criticaram a atitude de Gian Lopes.

Concurso custou cerca de R$ 900 mil

No concurso para contratação dos novos GCMs, 6 mil pessoas participaram do processo, realizado em 2016, e cerca de 88 permaneceram nas fases finais. Os finalistas do concurso público, conforme exigência do edital, deveriam deixar seus empregos para se dedicarem ao processo de formação para GCMs, mas com a decisão de não realizar a contratação, a grande maioria destas pessoas agora encontra-se desempregada e sem nenhuma remuneração.


Teve até advogado que prestou o concurso e que precisou pedir dispensa da carteira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e que agora recebeu a notícia de que tudo que fez não valeu de nada.


Um dossiê montado pelos próprios concursados revela que o prefeito contratou a Empresa Paranaense de Licitações Ltda para realizar o concurso público. A prefeitura depositou na conta desta empresa a quantia de R$ 6,9 mil. Além disso, conforme o dossiê, a administração municipal gastou mais R$ 166 mil em uniformes para os novos GCMs em março de 2019.

A GAZETA procurou este e outros investimentos no Portal da Transparência da Prefeitura de Poá, no entanto, a plataforma limitou a pesquisa do jornal.
Segundo o documento, Gian Lopes ainda teria gastado mais R$ 370 mil com fardamento e coletes antibalísticos para os novos GCMs que não foram contratados.

PREJUDICADOS – De acordo com relatos de pessoas que participaram do concurso, as etapas foram finalizadas em 09/09/2019, mas ninguém recebeu diplomas ou a cerimônia de posse.

Uma comissão representando os 88 GCMs formados foi criada para averiguar o que ocorreu, e o prefeito novamente disse que a prefeitura não dispõe de verba para a contratação devido uma queda na receita após a perda do banco Itaú.


Segundo quem prestou o concurso, os interessados deveriam pagar R$ 60,50 na inscrição, e segundo fontes ligadas a este concurso, cerca de 6 mil pessoas participaram, isto é, em termos financeiros, com as inscrições destas pessoas foi arrecadado cerca de R$ 363 mil, mas não ficou claro para quem foi este dinheiro, se para a prefeitura ou para a empresa.

Gazeta Regional

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