Portadora de paralisia infantil fala das dificuldades que o cadeirante enfrenta

Moradora do bairro Jardim Caiuby, em Itaquaquecetuba, sofre com a falta de infraestrutura e acessibilidade para cadeirantes. Fotos: Divulgação

 

Por Gabriella Gonça

Especial para o Gazeta

 

Vítima da paralisia infantil aos quatro anos, Silvana dos Santos, 41 anos, sofre com a falta de acessibilidade em Itaquaquecetuba, cidade onde nasceu e mora atualmente. Nascida em março de 1975, ela conta que, depois da morte de sua mãe, aos nove anos, mudou-se para o interior de São Paulo, onde foi criada por uma tia junto aos irmãos. De volta à sua cidade-natal há 15 anos, Silvana enfrenta as dificuldades do dia a dia que todo deficiente físico tem e admite, “os moradores de Itaquá têm bem mais” em relação a outras cidades.

A dona de casa, que mora no bairro Jardim Caiuby, nunca teve a oportunidade de trabalhar e diz que aprendeu a ler e a escrever sozinha. Sempre determinada e carismática, Silvana revela que nunca se sentiu abatida por causa da doença, superou suas dificuldades, tem uma vida comum e ativa como qualquer outra pessoa. Casada há cinco anos, ela conta que o esposo trabalha formalmente, enquanto ela não se limita: “Ele me ajuda, mas eu também não fico parada, vendo produtos variados para ajudar em casa e comprar minhas próprias coisas”.

O bairro Jardim Caiuby, onde Silvana mora, fica a quase seis quilômetros do centro de Itaquaquecetuba. Mas Silvana tem uma estratégia: guarda tudo o que tem para fazer para um único dia, assim, evita dar mais de uma viagem pelo centro da cidade.

O ponto de ônibus fica a 20 minutos de sua casa e a maior parte do percurso é de estrada asfaltada, mas sem calçada. Sendo assim, ela é obrigada a andar pela rua junto dos carros. Sem falar no tempo de espera pelo ônibus de, em média, 30 minutos. Mas, apesar das dificuldades, ela elogia o fato de a prefeitura da cidade ter ônibus adaptado. “Uma coisa boa que o prefeito (Mamoru Nakashima) fez foi colocar todos os ônibus em circulação adaptados para nós, cadeirantes. O problema é que nem todos estão funcionando e, neste caso, tenho que aguardar o próximo por mais de uma hora, ou então, pode acontecer de já ter um outro cadeirante e, como só tem espaço para um, o motorista coloca o outro do lado, sem cinto de segurança, sem nada”, afirma Silvana.

CHAMA 3 - foto @divulgaçãoQuando Silvana chega ao centro de Itaquá enfrenta outra dificuldade: alguns pontos da praça são adaptados, outros não. As calçadas, além de estreitas, têm árvores e um fluxo grande de pessoas, obrigando os deficientes físicos a trafegarem pela rua onde os carros passam há centímetros de distância. Há também esgotos expostos e, quando chove, as ruas alagam, impossibilitando o fluxo de pedestres.

Segundo Silvana, são poucos os cadeirantes de Itaquá que possuem cadeira motorizada. Ela conta que conseguiu uma graças à ajuda do Rotary Club da cidade, que, por meio de uma ação beneficente, arrecadou R$ 2 mil para ajudar na compra do equipamento. Mas ela ainda teve de completar com R$ 4  mil de empréstimo bancário.

Indagada sobre qual seria seu maior desejo, Silvana respondeu que sempre quis trabalhar. “Cheguei até aqui com o meu próprio esforço, tive ajuda de algumas pessoas, mas muitas me viraram as costas. Meu sonho é trabalhar em prol de pessoas como eu, que têm alguma deficiência, seja física ou mental. Essas pessoas podem ter a mobilidade, o pensamento, a visão, seja lá o que for reduzido, mas não a capacidade, somos todos capazes de realizar nossos sonhos e o meu sonho agora é lutar por essas pessoas”.

Gazeta Regional

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