Razão e emoção na política

O marketing comercial aplicado ao político – A arte de iludir o povo

Por Michael Della Torre Neto

Quando nos deparamos com uma chamada dizendo para o povo “ir às ruas” e protestar/reivindicar, acho que algumas observações devem ser feitas. Os que hoje fazem este tipo de convite devem estar falando no sentido figurado, pedindo que todos se mantenham atentos e não fiquem alienados da política, pois no tocante a atividades presencias devem ser observadas as medidas sanitárias de praxe contra a Covid-19, com reuniões limitadas de pessoas.

Ao se convocar atividades políticas, devemos ser honestos e objetivos. Os convocados precisam saber quais as propostas que justificam a convocação, pois ninguém gosta de ser usado como mão de obra barata, como objeto, como bobo da corte, como massa de manobra para fanáticos e oportunistas que deturpam ideais, como plateia burra dos meios de comunicação de massa, como rebanho de interesses eleitorais.

Usar palavras de ordem e frases de efeito apenas emocionais e sem objetivos claros pode ser uma tática de marketing político muito desonesta. Na publicidade comercial, as peças de marketing trabalham na maioria das vezes o apelo emocional para estimular o ato de consumir. Não há espaço para muita reflexão. De vez em quando, uma ótima propaganda divulga um mau produto. Porem a publicidade é um item básico do comércio e possui seus riscos.

Mas o Marketing na política é outra coisa. Ele deve revelar as ideias e projetos políticos de maneira clara e ajudar os eleitores a fazer boas escolhas. Uma publicidade política puramente emocional mais oculta do que revela. Projetos de continuísmo e abusos do poder econômico e político se escondem com um belo trabalho de marketing, dessa forma, especialistas em mídia digital vêm se destacando e ganhando espaço na política, aplicando estratégias exclusivas do marketing comercial à cabeça do potencial eleitor, iludindo os mesmos com imagens e marketing político digital.

A participação política deve começar com a emoção. Quando nos indignamos com injustiças, de violação de direito, de desonestidade e abusos políticos e sociais, a emoção nos move para a ação. Mas ação política deve ser pensada e planejada. A política requer clareza e ciência para gerarmos ideias e projetos capazes de resolver as situações que nos indignaram. A política requer planejamento, estatura ética e dimensão humanista para que não seja usada para satisfação de interesses e desejos pessoais.

O pensador romano Sêneca: “Não há vento favorável para quem não sabe onde vai”.

Gazeta Regional

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