Saúde em caos: portadores de diabetes não contam com assistência em Itaquaquecetuba

Em fevereiro, o Gazeta Regional encontrou Adalto Cruz nas condições da imagem que ilustra a matéria. Sete meses depois, o aposentado continua sem contar com qualquer tipo assistência por parte da prefeitura. Fotos: Divulgação

 

Por Lailson Nascimento

De Itaquá

 

A falta de acompanhamento médico em casos de extrema necessidade e a má distribuição de medicamentos mais uma vez é alvo de reclamações de moradores de Itaquaquecetuba. Dentre os diversos protestos recebidos na redação do Gazeta Regional, dois casos chamam atenção pela falta de sensibilidade por parte do governo de Mamoru Nakashima (PSDB), que é médico.

Adalto Augusto da Cruz, de 59 anos, passa o dia reclamando de dores pelo corpo. Apesar de ter as duas pernas amputadas e visão prejudicada, devido à diabetes, ele não conta com visitas regulares de médicos em sua residência. Morador do Jardim Amazonas, em Itaquaquecetuba, Augusto vai ao posto de saúde somente a cada dois meses, já que a unidade mais próxima fica no Jardim Caiuby.

Em fevereiro desse ano, o Gazeta Regional já havia publicado o descaso com Adalto por parte da prefeitura. Passados 7 meses, nada mudou, segundo constatou a reportagem, que esteve em sua residência na sexta-feira (23).

Pai de 15 filhos e com quase 60 anos de idade, ele vive sob os cuidados da família, que têm sua rotina alterada por conta do caso. Quando os filhos saem para trabalhar, Edésia Cruz assume a responsabilidade, torcendo para que o esposo não tenha nenhum tipo de complicação. Para ela, “Cruz” se tornou mais do que sobrenome. “Só eu sei o que é passar noites e noites acordada enquanto o Adalto chora de dor. Quando ele passa mal, são os hospitais que  o rejeitam, alegando não poder fazer nada”.

Para a cabeleireira Célia Santos, uma das filhas, o mínimo a que o pai tem direito já seria o suficiente. “Nós não queremos nada além de um acompanhamento digno. Meu pai nunca recebeu a visita em casa de um médico ou enfermeiro, apesar de ter amputado a primeira perna há 5 anos. A prefeitura tem o diagnóstico dele há 6 anos, mas jamais dispensou um tratamento no mínimo humano. Meu pai nunca frequentou a fisioterapia, o que gerou atrofia por todo o corpo. A que mais ele vai ser submetido?”, questiona.

Adalto é morador da rua Nova Odessa, pavimentada recentemente. O prefeito Mamoru Nakashima (PSDB), que já recebeu as palmas de quem enxerga asfalto como sinônimo de eficiência, é aguardado na mesma rua, agora para amenizar a dor de quem já não enxerga o asfalto, tampouco caminha pelo pavimento.

 

Prefeitura nega insulina para moradora com gestação de alto risco
ABRE_Itaquá_Descaso Saúde - foto 1 @divulgaçãoViviane Guereschi entrou no terceiro mês de gestação na quarta-feira (21). Apesar de estar animada, a servidora pública aposentada tem se dedicado para atenuar os efeitos causados pelo grau de alto risco da gravidez. Por ser Portadora de Diabetes do Tipo I, ela mudou sua dieta, dando preferência aos alimentos que não comprometam a saúde do feto.

Mas, os esforços de Viviane esbarram na Secretaria Municipal de Saúde, que tem dificultado o acesso a medicamento essencial para a sua vida e, por consequência, sujeitado a paciente ao medo da perda do filho. Dependente de insulina de alto custo – até então fornecida pela Prefeitura de Itaquaquecetuba -, Viviane não recebe o medicamento regularmente desde agosto.

 

O caso

De acordo com a servidora aposentada, a diabetes foi constatada em 2007. Após diversos tratamentos que não surtiram efeito, ela descobriu a insulina Lantus. Após rápido procedimento junto à Promotoria do Ministério Público, a paciente conseguiu assegurar o direito de acesso gratuito ao medicamento. À época, a administração municipal passou a fornecer a insulina sem qualquer burocracia, por se basear nos relatórios médicos que atestam a patologia.

Acostumada a retirar os medicamentos junto à Secretaria de Saúde desde 2009, Viviane foi pega de surpresa em agosto deste ano, quando a Pasta informou que, a partir daquele momento, ela só voltaria a receber a insulina se movesse um processo e obtivesse decisão judicial a favor dela. Teve início o calvário da gestante.

“Eu tenho 38 anos e não quero perder o meu bebê. Para tanto, tenho feito o que posso para não prejudicar a saúde do feto, mas parece que a Secretaria de Saúde quer o contrário. Nas últimas vezes em que estive lá para tentar resolver o problema da insulina, fui maltratada por uma funcionária chamada Laudjane, recebi diversas humilhações e, o que é mais grave, ouvi alguém falando que eu sou louca de engravidar com esse corpo e que seria melhor eu interromper a gravidez”, desabafa Viviane.

Também portadora de neuropatia nas duas pernas, a gestante tem dificuldades de locomoção, o que aumenta a sua preocupação com eventuais problemas. “Meu apelo é para que a prefeitura desburocratize o acesso a esse medicamento, que é de fundamental importância para a minha sobrevivência. A equipe médica conhece as minhas condições de saúde, sabe que estou grávida, mesmo assim não libera a insulina.

 

Outro lado

Procurada, a prefeitura não se manifestou.

 

Gazeta Regional

Fundada por Laerton Santos no início dos anos 2000, a GAZETA tem como principal missão integrar as dez cidades que compõem a região do Alto Tietê, tendo como diferencial o olhar crítico que define a linha editorial do veículo. Em busca de contato cada vez mais próximo com seu público, o jornal tem investido na cobertura diária, utilizando as mídias digitais para esse fim.

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