Sem rodeios, Otto Rezende aponta os seus desafios na presidência da Câmara de Mogi

Ele adota medidas que não agradam nem gregos e nem troianos mas que precisam ser tomadas

Por Aristides Barros / Foto: Lailson Nascimento

Comandar o Legislativo de Mogi das Cruzes, cujo peso e importância da cidade no contexto regional dispensa comentários, não é trabalho fácil. O presidente da Câmara mogiana, Otto Rezende (PSD), descortinou as conversas de bastidores que ganham as ruas e geram boatos.

A redução no número de cadeiras no Legislativo está fora de cogitação. “Quanto mais vereadores melhor para a cidade” defendeu, exemplificando. “Não é por causa de um policial que não trabalha e de um médico que não atende que se pede o fechamento da polícia e do hospital. Quanto mais pessoas capacitadas para suas funções, melhor. Eu vejo que uma Câmara com bons vereadores é ótimo para a cidade e a população”, disse, expondo que é injusto colocar todos na vala comum devido às ações ruins de um ou outro. Mas, pontuou: “alguns ‘tranqueiras’ colaboram para a generalização.”

A troca da frota de carros da Câmara e a instalação de uma barreira de vidro no entorno das galerias do plenário geraram polêmicas que foram respondidas e justificadas por Rezende. O vereador disse que a Câmara tem verbas para as ações e que elas acontecerão porque são necessárias à segurança nos trabalhos no Legislativo. Os recursos vêm da contenção de verba proporcionada pela pandemia, que eliminou horas extras e outras atividades que aumentavam os custos da Casa.

Ele revelou que, em função disso, a Câmara fechou 2020 com R$ 1,7 milhão, dinheiro que seria devolvido ao Executivo que poderia usar a verba onde fosse necessário. Mas, tem de ser feita a substituição dos 25 carros da Câmara. A frota atual data de 2011 e está com mais de 300 mil quilômetros rodados. A manutenção consome mais dinheiro e por isso a decisão de comprar veículos novos.

Caso pessoas sejam vitimadas por acidentes devido a problemas de falta de manutenção mecânica desses carros, a responsabilidade recai sobre o presidente da Câmara. A questão da segurança e manutenção da vida pesou na decisão.

Sobre o envidraçamento em torno do plenário, Rezende antecipou que se a intenção fosse barrar o povo, “como falam”, a proibição de entrada aconteceria fora da Câmara, e não dentro. “O envidraçamento é um dispositivo de segurança melhor que o atual (parapeito) que está danificado”, resumiu, ilustrando: “Surge um conflito lá de pessoas pró-Bolsonaro e outra pró-Lula e ambos partem para as vias de fato, alguém pode cair lá de cima”, justificou o novo aparato.  

Cidade Divida

A polêmica dos pedágios que ameaçam o município de ser duplamente seccionado por obras nas rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga ganhara o tom de repúdio. Rezende enfatizou que a partir de Mogi das Cruzes a classe política regional se uniu contra a ideia do Governo do Estado formando a Frente Legislativa Intermunicipal, integrada por presidentes das câmaras municipais das cidades do Alto Tietê, que ajuda em ideias e engrossa protestos contra a meta tucana de “fatiar” a cidade.

Ele adiantou que caso a obra aconteça, será triste para a região. Mas, observou que o Estado sai vencedor no projeto e derrotado nas urnas mogianas. Rezende acredita que os pedágios “cortarão” votos do PSDB nas eleições de 2022 na região.

Gazeta Regional

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