Sobrevivente da Covid, em Mogi, relata: ‘Eu não quero nunca mais passar por isso’

Moradora do Jardim Natali ficou internada durante sete dias no Hospital de Brás Cubas

Por Will Siqueira / Foto: Divulgação

Em uma entrevista exclusiva, a ex-diretora de escola estadual Marli Aparecida Martinez Giannella, 56 anos, que vive com sua família no Jardim Natali, em Mogi das Cruzes, contou como foi sua experiência ao ser infectada pelo coronavírus logo no início do alastramento da Covid-19 no Brasil.

Ela e seu marido – o corretor de imóveis José Alexandre Gianella, 59 – foram infectados ao mesmo tempo, em março, porém Marli teve de ser hospitalizada, ficando uma semana no Hospital de Brás Cubas (não havia ainda hospitais de campanha).

“Foi bem no início, comecei a ficar ruim no dia 16 de março. Fui internada no dia 25 e saí do hospital no dia 31 [do mesmo mês]; quando fui para o hospital, eu já estava muito mal”, ressaltou Marli.

Segundo ela, os sintomas causados pelo coronavírus nela foram “canseira, muita canseira, o paladar muda, a gente não tem vontade de comer e você não tem ânimo para nada”. E ao mesmo tempo em que a doença se manifestava em Marli, seu esposo dava sinais de que também tinha sido contaminado. “Logo depois, meu marido contraiu também; a gente teve de forma diferente: Eu não tive nenhuma febre, o meu era canseira e começou a dar falta de ar. O meu marido era muita febre”, descreveu.

O marido dela foi tratado em casa, executando o isolamento social. Já Marli não teve a mesma “sorte”.

“Quando comecei a ter quase desmaio… Eu acabava de comer qualquer coisinha, eu já não conseguia mais me mover, ficava jogada, não tinha força nenhuma. E minha filha acabou me levando para o Hospital de Brás Cubas porque diziam que era o que estava mais preparado na época. Fui uma das primeiras a ser internada lá em Brás Cubas, acho que havia eu e mais duas [pessoas].”

A diretora aposentada ficou internada, mas apenas utilizando o aparelho de oxigênio, segundo ela – a mogiana disse que não precisou ser intubada. Vale lembrar que nesse período ainda não era obrigatório o uso de máscaras, portanto o risco de pegar a doença era muito maior.

De acordo com Marli, cerca de dez dias antes ser diagnosticada com o vírus, ela estava com tendinite e foi à Santa Casa de Mogi, mas, depois disso, participou de jantar com amigos; em seguida, fez em sua casa um churrasco no qual recebeu os amigos dela e do marido.

“E só eu, meu marido e um amigo que pegou. Então, eu não sei se foi na Santa Casa, no jantar que eu fui, num restaurante. E os dois [o marido e o amigo] não ficaram internados, só eu fui a ‘premiada’”, destacou Marli, em tom de brincadeira.

“Judia muito a internação, os exames, é bem difícil. Dói muito. É muita injeção, muita medicação, você fica isolada”, evidenciou Marli, confirmando o que todas as pessoas que necessitaram de ser internadas dizem em relação a todo esse processo.

Sete meses depois, nem ela nem o marido estão 100%. No entanto, ambos estão se recuperando muito bem.

“Agora, está bem melhor! Mas demorou bastante. Ainda não estou 100% do que eu era antes, não fica. Espero ficar, mas, por enquanto, ainda não. Banana, por exemplo, não consigo mais comer, para mim, tem gosto de podre. Um alimento ou outro tem gosto diferente; para mim, é tudo salgado”, explicou Marli sobre as sequelas que a doença deixou em seu paladar.

“Eu não quero nunca mais passar por isso. Não vale nem um pouco a pena se arriscar”, concluiu Marli.

Primeiro caso na região

A primeira pessoa a contrair o vírus da Covid-19 no Alto Tietê foi uma mulher, de 33 anos, moradora de Ferraz de Vasconcelos. A confirmação de que ela estava com a doença ocorreu no dia 11 de março.

A auxiliar de enfermagem Deise de Souza Bezerra dos Santos trabalha em um hospital particular de São Paulo, onde ficou internada, em isolamento, por 19 dias. Ela chegou a ir para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e ficou entubada. No dia 7 de abril, curada, ela voltou para sua casa.

Gazeta Regional

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