Téo Cusatis: líder da transformação da rede de saúde de Mogi das Cruzes

Ex-secretário de Mogi fala de sua experiência na Pasta de Saúde entre os anos de 2009 e 2018

Por Lailson Nascimento / Foto: Bruno Arib

Secretário Municipal de Saúde entre 2014 e 2018, com passagem pelo posto de adjunto entre 2009 e 2013, o biomédico mogiano Marcello Delascio Cusatis, o Téo Cusatis, é tido como “o homem que transformou a saúde pública no município de Mogi das Cruzes.”

Apesar de ser protagonista de grandes projetos, como é o caso da construção do Hospital Municipal localizado em Brás Cubas, ele prefere o espírito coletivo. Na entrevista a seguir, a primeira resposta foi justamente no sentido de ressaltar a equipe que lhe dava apoio. Hoje na iniciativa privada, Téo fala sobre o legado deixado na Pasta.

Confira trechos:

Gazeta Regional (GR): Téo, o que você destacaria dos feitos à frente da Secretaria de Saúde?

Téo Cusatis: O mais importante é que eu tive uma equipe muito boa, não só na Secretaria de Saúde, mas os secretários de vários mandatos sempre tiveram uma linha muito unificada. Mogi tem a felicidade de não sofrer grandes rupturas. A gente sempre teve na cabeça que o que é bom de uma administração precisa continuar na outra, independente do partido político ou do governante. O Pró-Mulher e o Pró-Criança, que são marcas do ex-prefeito Junji Abe, continuaram no nosso governo. Isso foi uma diretriz acertada. E tivemos um secretariado muito voltado para o correto, para o desenvolvimento, e para que as coisas descem certo. Sem ciumeira política. Não fazíamos nada se o jurídico não aprovasse, e a cidade ia avançando a passos largos. Foi um aprendizado muito grande. A criação do SIS também deve ser destacada, pois o SIS foi um braço de gestão administrativo muito acertado. A saúde é muito do dia a dia. Se deixar a gente se perde naqueles pedidos particulares, individuais, o que existe mesmo. Não existe um regramento sobre isso. E o SIS mostrou, de uma maneira macro, o que precisa em cada lugar da cidade. Não sai da cabeça do prefeito, da cabeça do secretário ou de vereadores. A ferramenta mostra que na divisa [da cidade] precisa ter um Programa de Saúde da Família neste momento. A estatística mostra. E acertadamente a gente foi conseguindo construir a rede de uma maneira pulverizada na cidade. O SIS está distribuído na cidade, Mogi das Cruzes está entre as maiores cidades em extensão territorial, e temos desde o bairro Chácaras Guanabara, que está distante 45 km do Centro, até um Hospital Municipal que foi construído durante esse momento que me dediquei na saúde pública da cidade. Acredito que a gente conseguiu acertar em bastante coisas que realmente melhorou a vida das pessoas.

GR: E o que foi deixado para o atual secretário de Saúde apenas executar?

Téo Cusatis: Grandes projetos foram discutidos, e eu entendo como uma continuidade, porque o atual secretário, que é o Chico Bezerra, era presidente da Comissão de Saúde enquanto vereador, tudo passou pela comissão, então entendo que é uma continuidade. Mas são projetos construídos antes. O projeto da Maternidade Municipal foi totalmente detalhado pelos técnicos da Secretaria Municipal de Saúde, pela Secretaria de Planejamento, não contratou nenhuma empresa terceirizada para fazer o projeto, a planta, tudo dentro de casa. A UPA de Jundiapeba também partiu da necessidade, porque as UPAs ajudam a desafogar o Luzia de Pinho Melo, o que é uma das maiores dificuldades das cidades.

GR: Hoje dá para se resolver os principais problemas de saúde na cidade?

Téo Cusatis: Dá para resolver sim. Mogi é uma das poucas cidades do Estado de São Paulo que tem pelo menos um equipamento de uma grande área. A população sempre cobra mais, mas a cidade tem um pouco de cada grande necessidade. Agora, óbvio que dá para melhorar. Mas temos a menor taxa de mortalidade infantil da história, de 2017, que é um grande indicador. Ele traduz ações na saúde da criança e da mãe também. É ter exame no momento certo e de qualidade. Também somos a única cidade com o laboratório Einstein a custo de tabela SUS. A pessoa mais simples tem acesso ao Einstein.

GR: Colocam seu nome com pré-candidato a prefeito. Existe essa possibilidade nesse momento?

Téo Cusatis: Não sou filiado a partido nenhum desde 2017. Mas é óbvio que fiquei 8 anos e lido com a política sempre. A Secretaria de Saúde me desgastou bastante, e é um pequeno exemplo do que deve ser exercer o cargo de prefeito. Nesse momento não é meu grande desejo, não me apetece ser prefeito. Eu gosto de Mogi, me preocupo com a cidade. Se um dia precisar sair candidato para cuidar da minha cidade eu farei isso, mas já faço parte de um grupo.

Gazeta Regional

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