Tradição viva marca Festa de São Cosme e Damião

Festa repleta de doces, brincadeiras e muita alegria é sinal de que tradição continua viva em Mogi

Por Gabriel Dias / Fotos: Bruno Arib

No último dia 27 de setembro, quem entrou no terreiro Caminho das Pedras, em Mogi das Cruzes, percebeu que a Festa de São Cosme e São Damião fora preparada com muito carinho e nos mínimos detalhes.

No teto e nas paredes haviam enfeites de crepom azul claro e rosa, e bexigas coloridas. Dentro da casa da mãe Gislene (líder do terreiro), havia inúmeras caixas de doces, e cada minuto chegavam mais.

Como reza a história, São Cosme e Damião eram irmãos gêmeos e ambos desempenhavam a função de médicos no condado onde moravam. Com grandes poderes medicinais, Cosme e Damião curavam pessoas, no entanto, não pediam nada em troca. Na época, por este motivo, foram condenados a morte pelos Romanos.

Embora trágica, a história dos irmãos curandeiros foi escrita com requintes de amor e caridade, portanto, até nos tempos atuais, este estilo de altruísmo continua a ser praticado, principalmente em terreiros por todo País.

Durante o ritual ouvia-se músicas e palmas. O incenso de cheiro forte purificava a casa e levava. Os atabaques soavam fortes e as vozes cantantes não desanimavam.

Quando esta vazio, o terreiro parece imenso, mas neste dia, o espaço ficou pequeno para o tanto de pessoas que prestigiavam a festa de São Cosme e Damião. Neste dia teve até batismo – levando o evento ficar mais especial.

Aos poucos os médiuns inesperadamente sentavam no chão ou giravam batendo palmas – esse era o sinal eminente de que as entidades em forma de crianças chegavam. As vozes mudavam, se tornaram mais finas, e o ‘R’ nas frases era trocado pelo ‘L’.

Fora as crianças, haviam os “pretos velhos”. O que chamou atenção em meio ao caos das risadas, brincadeiras e o falatório ao longo do ritual, foi quando uma entidade se virou e disse à reportagem: “Eles são crianças, adoram brincar. Onde vivemos eles correm para lá e para cá, e somos nós [pretos velhos] que cuidamos deles. Não se preocupe”.

Inúmeros doces e bolos foram distribuídos às pessoas que acompanhavam a solenidade, depois rezaram um Pai Nosso e um Ave – Maria, e o ritual se encerrou com uma salva de palmas.

Gazeta Regional

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