Um dia no presídio Adriano Marrey

GAZETA participou da Jornada de Cidadania e Empregabilidade na penitenciária de Guarulhos

Por Giovanna Figueiredo / Fotos: Bruno Arib

No presídio Adriano Marrey, em Guarulhos, a arte está sendo usada como ferramenta de ressocialização. Na última terça-feira (1) a GAZETA esteve na unidade prisional para acompanhar atividades da 5° Jornada de Cidadania e Empregabilidade, que contou com apresentação dos presidiários, bem como uma palestra motivacional com o jornalista Ivan Moré.

Em meio a muitas grades, um projeto tem mudado a vida dos homens que cumprem pena no local. O agente penitenciário Igor Rocha realiza um trabalho de ressocialização, oferecendo aos detentos oportunidade de ter aulas de teatro, sarau, música e até mesmo crochê.

“Nós temos que lembrar que estamos lidando com seres humanos. Todos nós precisamos de amor e carinho, com eles não é diferente”, comentou o agente, acrescentando que as pessoas que passam pelo programa dificilmente voltam para o ‘mundo do crime’.

Uma peça de teatro com atuação, direção, produção e texto dos detentos foi apresentada. O texto escolhido foi “O Alquimista”, de Paulo Coelho, com roteiro adaptado por Christian Martins, que também fez o personagem principal.

A apresentação levou o público às risadas, depois à reflexão, e por fim estavam todos aplaudindo de pé ao final do espetáculo. Grande parte da plateia era composta por homens, vestindo a tradicional camisa branca e a calça cor de caqui, uniforme do presídio. No entanto, por algum tempo todos esqueceram que estavam dentro de um presídio e se entregaram à experiência artística.

Christian, o roteirista da peça, contou que foi um desafio, mas que ama fazer teatro, pois isso ajuda a sair da realidade da prisão. “Era um cara muito tímido, ano passado eu vim só conhecer, gostei, fiz a peça e agora fui convidado a escrever e atuar nessa, foi uma experiência boa.”

Artista do SBT cumpre pena no Adriano Marrey

“O teatro me salvou aqui dentro”, conta Patrick Santos Levy. Ele relata que desde os cinco anos trabalha no meio artístico, inicialmente como garoto propaganda, posteriormente como ator, chegando a atuar em três novelas do SBT.

Filho do ator e diretor Felipe Levy, ele conheceu as drogas ainda muito jovem e, para sustentar seu vício, começou a traficar, vindo parar na prisão. “Infelizmente caí nesse caminho, mas quero dizer, principalmente para crianças, que elas nunca se envolvam com as drogas, isso não leva ninguém a lugar nenhum. Quer dizer, leva sim, para a esse lugar (prisão)”, finalizou.

Gerando Falcões marca presença na atividade

No período da tarde, o líder social Leonardo Precioso, responsável pelo projeto Recomeçar, que busca ressocializar egressos do sistema prisional, da ONG Gerando Falcões, fez a mediação da palestra realizada pelo jornalista Ivan Moré.

Léo também é um egresso do sistema prisional, ficou sete anos presos, dois deles no Marrey, e declarou que é uma das melhores penitenciárias de São Paulo. “Ninguém que tirar cadeia, mas se for para tirar, que seja no Marrey”. Ele levou seu exemplo de superação aos detentos.

Moré fez um bate papo com os detentos, contou um pouco de sua vida e falou sobre a importância da esperança e da mudança de pensamento.
Muitos ficaram emocionados e afirmaram que se sentiram valorizados com aquela experiência. Cerca de 100 dos mais de 2 mil presos da unidade participaram do evento.

“A ressocialização é possível, a gente precisa apenas de uma oportunidade, e é isso que eu queria pedir, para que as pessoas nos deem oportunidades quando a gente sair daqui”, desabafou o detento Edson Pereira de Matos.

Gazeta Regional

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