Umbandistas se unem em ritual e juntos reverenciam entidades

Umbandistas se unem em ritual e juntos reverenciam entidades

Por Gabriel Dias / Fotos: Bruno Arib

Sábado (24) foi uma das datas mais importantes para muitas pessoas adeptas à religião umbandista. Por volta das 19h30, diversas pessoas se concentravam no bairro César de Souza, em Mogi das Cruzes, na Casa Caminho das Pedras. O espaço recebe pessoas da região, do Brasil e do mundo que precisam de ajuda espiritual.

Às 20h, soou o primeiro toque do atabaque, sinal de que o ritual começara. As mulheres com vestidos longos de diferentes cores fizeram uma roda. Só atravessava em meio a elas quem fosse convidado a entrar. Conforme mudava o som dos atabaques e das vozes cantantes, as mulheres sentiam a energia vibrante de cada entidade, cada qual com seu nome de origem.

Em alguns minutos ouvia-se muitas risadas – um sinal de que ali habitava as chamadas pombo giras. Conforme cada entidade vinha em terra, a música e o batuque ficavam mais forte. O som era alto, até que do meio da roda de mulheres incorporadas surgiu um brilho que podia ser visto por todos do local. A luz que misteriosamente surgiu exalava o cheiro semelhante a um jardim perfumado por rosas. Neste momento batia em terra a entidade Maria Padilha, espécie de rainha da época. Assim que chegou, Padilha atendia as pessoas, no entanto, o que chamava atenção era sua maneira de agir e brincar, sempre com muita sutileza.

Passaram as horas e junto se aproximava o fim do ritual. Maria Padilha se despediu e disse coisas bonitas a todos que estavam ali, entregou rosas, doces e distribuiu abraços e risadas. Com um leque em mãos fazia vento, então simplesmente desencarnou, voltando a ser um foco de luz.

O ritual do último final de semana caiu na semana do aniversário de Mogi, cidade que guarda cultura e riqueza religiosa. Neste ritmo, a Casa Caminho das Pedras aproveitou o momento para desejar ao município um feliz aniversário pelos 459 anos, e também, pedir mais tolerância. “É triste ver tantas casas atacadas pela intolerância. Umbanda é caridade, amor e respeito, somos gente igual a todos e só queremos o bem”, diz Mãe Gislene.

Gazeta Regional

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