Verdadeiras sucatas

Infelizmente, não temos só a sensação de que a situação do transporte público no Brasil piora a cada dia. É uma realidade. E, na região do Alto Tietê, quem depende de ônibus para se locomover está literalmente ferrado. É uma vergonha o nível de descaso da principal empresa que circula pelas cidades, principalmente em Mogi das Cruzes. São ônibus em condições precárias – enferrujados, sem cintos de segurança, quebrados, com problemas de direção, caixa de marcha, enfim, sucateados. E o pior é que os motoristas não podem reclamar e muito menos se recusar a dirigir estas latas velhas, pois são punidos até mesmo com a demissão. Isso sem falar que o sindicato, conivente, não faz nada para melhorar esta situação catastrófica, que põe em risco a vida de motoristas, cobradores, usuários e transeuntes.

O pior de tudo é que as prefeituras, que deveriam fiscalizar, nada fazem para prevenir acidentes, muito pelo contrário, só tomam providências quando acontece uma tragédia. Como ocorreu na rodovia Mogi-Bertioga, no mês passado, quando o ônibus fretado, contratado pela prefeitura da cidade, tombou, matando 18 passageiros, a maioria jovens estudantes universitários.

Depois do ocorrido, a fiscalização foi intensificada na estrada e novos ônibus colocados pela empresa União do Litoral. Por que não fizeram isso antes? Esperaram que vidas fossem tragadas para depois agir com legitimidade.

Claro que o Estado e os municípios não são os únicos culpados por esta situação. As empresas são responsáveis pela manutenção desses veículos. Mas fica muito caro trocar as peças constantemente, não é?

Se a utilização do transporte público é colocada como uma das soluções para os problemas da mobilidade urbana, o que dizer da qualidade de vida de quem utiliza esse tipo de transporte? Não há como negar o quão estressante é conviver diariamente com o sucateamento dos transportes. Isso reduz bastante a qualidade de vida dos usuários do transporte público, principalmente para aqueles que dependem de vários transportes em cada trecho que precisa percorrer, que ficam em pé por horas, em ônibus ou outros meios de transportes, superlotados, sem ventilação ou segurança. E por falar em segurança, ainda têm os assaltos, que, na região, são constantes. Fica o alerta às autoridades competentes.

Gazeta Regional

Fundada por Laerton Santos no início dos anos 2000, a GAZETA tem como principal missão integrar as dez cidades que compõem a região do Alto Tietê, tendo como diferencial o olhar crítico que define a linha editorial do veículo. Em busca de contato cada vez mais próximo com seu público, o jornal tem investido na cobertura diária, utilizando as mídias digitais para esse fim.

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