Viação Bertioga humilha funcionários e acaba com a paciência dos usuários

A responsável pelo transporte público mandou todo mundo “pro olho da rua” e ainda não pagou ninguém

Texto e fotos: Aristides Barros

O transporte público em Bertioga vive um duro golpe com a decisão da permissionária do serviço – a Viação Bertioga – de demitir a totalidade dos funcionários que aderiram à greve, iniciada às 17 horas de sexta-feira (9), e que continuava até esta quarta-feira (14), e não tem previsão de terminar.

Motoristas, mecânicos, fiscais e monitores que acompanham alunos da rede municipal de ensino nos ônibus que fazem o transporte escolar teriam sido dispensados, com as demissões de cada um chegando até eles por mensagens pelo aplicativo WhatsApp.

“A greve é por causa do atraso de mais de 40 dias no pagamento do salário da categoria, não entrega de vale-refeição, falta de depósito do FGTS e INSS, falta de plano de saúde e plano odontológico, entre outros”, disse um funcionário sem se identificar.

“A empresa agenda a data de pagamento, mas quando chega o dia de pagar não paga, e nem dá nenhum satisfação”, falou. “Estamos numa condição pior que a de muitos desempregados”, completou.

Muitos funcionários da empresa estão devendo alugueis, contas de água, luz e telefone, com prestações atrasadas e outros estão sendo ajudados por parentes e amigos para alimentar suas respectivas famílias. “Sem dinheiro a vida fica difícil”, disse outro funcionário que optou pelo anonimato.

A greve dos funcionários foi julgada ilegal pelo Tribunal Regional do Trabalho, que ordenou o retorno imediato das atividades. Mas os funcionários decidiram manter a paralisação porque sentiram que já não tinham mais nada a perder, suas dignidades de chefes de família já tinham sido postas ao chão pela empresa, que desobedecia os direitos trabalhista na questão salarial.

Na decisão a Justiça do Trabalho determinou a volta imediata dos motoristas às funções, que a frota deveria contar com 80% dos veículos nos horários de pico e de 60% nos demais horários.

PIQUETE – A adesão maciça à paralisação foi por conta dos funcionários impedirem a entrada e saída de ônibus da garagem da viação, que fica na Rodovia Rio-Santos, no Jardim Rafael. O “bloqueio” teria acontecido para que nenhum funcionário “furasse a greve”.

O Sindrod (Sindicato dos Trabalhadores de Transporte Rodoviário) acompanha a greve desde o início do movimento e antecipou que já movimenta o seu Departamento Jurídico para tentar reverter a demissão em massa, que pode atingir cerca de 150 funcionários.    

POSIÇÃO – O jornal LEIA encaminhou solicitações de posicionamento à Viação Bertioga e à Prefeitura de Bertioga. A matéria será atualizada conforme a chegada das respostas da administração municipal e da empresa.

Gazeta Regional

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